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Coleções: Revista: Selo:


Título: Margem Esquerda n.12
Autor: Vários autores
Páginas: 160
ISSN: 1678-7684
Preço: R$ 28,00
Em lugar das modernas e funcionais cidades prometidas pelo neoliberalismo, as megalópoles do Sul do mundo multiplicam favelas. São o retrato de uma terra arrasada, onde milhões de pessoas vivem em moradias precárias, cercadas por lixo, poluição e ruínas, apartadas do mundo formal. A especulação imobiliária expulsa os pobres das regiões centrais para as periferias, numa segregação urbana que reflete a incessante guerra social de nosso tempo.

Na entrevista que concedeu à Margem Esquerda – coordenada pela professora Otilia Fiori Arantes, com a participação de Ermínia Maricato, Mariana Fix e Michael Löwy –, o historiador marxista Mike Davis expõe o pesadelo da produção em massa de miséria e caos urbano – uma “urbanização sem urbanidade”, causa maior da crise global do meio ambiente. Davis fala de sua trajetória intelectual, dos autores que o influenciaram, do trabalho como caminhoneiro. Faz uma crítica radical à celebração de que os pobres podem solucionar a crise da vida diária sem redistribuição de renda e de poder político.

O desmanche urbano é também tema do dossiê desta edição: Resistências populares na cidade neoliberal. Ana Clara Torres Ribeiro, coordenadora do Grupo de Trabalho Desenvolvimento Urbano do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso), discute em “Cidade e capitalismo periférico: em direção à experiência popular” o conceito de justiça urbana na América Latina, enquanto a socióloga Beatriz Whitaker faz uma síntese dos movimentos por moradia e das ocupações no centro de São Paulo. Mas a crise urbana não se restringe à periferia do capitalismo, nos mostra Paulo Arantes em “Alarme de incêndio no gueto francês”, ao discorrer sobre os motins e as barricadas iniciados em Lyon, em 2005, que levantaram a bandeira por um “estado de urgência social”.

Slavoj Žižek, filósofo e psicanalista esloveno – que esteve em outubro deste ano no Brasil para lançar (pela Boitempo) A visão em paralaxe –, abre a seção Artigos com um texto exclusivo para a Margem Esquerda. Nele, investiga a construção da ideologia e das relações de dominação próprias ao liberalismo. Para entender a dinâmica do que chama de “utopia liberal”, une análise de conjuntura, psicanálise, pensamento marxista e economia, tendo como fio condutor o balanço dos protestos de 1968, do qual ressalta: seu principal legado é “sejamos realistas, exijamos o impossível”. Também egresso dos conturbados anos 1960, Emir Sader discute, em “Por onde anda o ‘outro mundo possível’?”, as lutas acumuladas desde a convocação do primeiro Fórum Social Mundial e defende que a América Latina é hoje o elo mais fraco da cadeia neoliberal.

Os ventos do Sul também animam a luta dos trabalhadores por uma verdadeira democratização do poder econômico, segundo Samir Amin. Em meio à crise econômica internacional, o intelectual egípcio analisa a evolução do capitalismo para um sistema financeirizado e oligopolista, ressaltando suas implicações sociais e políticas, como a emergência de uma plutocracia das altas finanças. Já o marxista italiano Lucio Magri, em “O alfaiate de Ulm”, empreende um balanço da esquerda italiana e do movimento comunista. Caminhos e descaminhos que também são tema do artigo “Goethe: o falsificado pelo fascismo e o autêntico”, do estudioso da estética lukacsiana Miguel Vedda, sobre a presença do autor alemão nos escritos de Lukács do período berlinês (1931-1933), ajudando a colocar por terra idéias preconcebidas a respeito do filósofo húngaro. Finalmente, “Cenas parisienses”, de Luiz Renato Martins, faz um apanhado das diferenças entre os retratos de Manet e os da geração que o precedeu.

A seção Documento traz um importante texto de Paul Sweezy, “Capitalismo e meio ambiente”, fundador e inspirador de movimentos ecológicos socialistas. Régis Michel assina o Comentário do semestre e trata da filmografia do berlinense Harun Farocki, “figura heróica do ex-novo cinema alemão, de onde saíram Straub, Kluge, Reitz e Wenders”.

Vem também da Alemanha o poema deste número, de Erich Fried – selecionado e traduzido pelo editor da seção, Flávio Aguiar. Fried tinha ascendência judaica e durante o processo de anexação da Áustria pela Alemanha nazista fugiu com a mãe para a Grã-Bretanha, onde fixou residência. Trabalhou inicialmente como bibliotecário e foi comentarista político da BBC de Londres, de 1952 a 1968. Publicou livros e poemas engajados, dentre os quais “Was es ist”, traduzido em várias línguas. Apresentamos aqui uma versão dele, que é tanto uma tradução como uma leitura de seu sentido. A interpretação de Flávio Aguiar é alegórica, por isso mantivemos os substantivos com maiúsculas.

Completam esta Margem Esquerda três resenhas, quatro notas de leitura, as belíssimas imagens da CIA DE FOTO e uma carta de Chico de Oliveira ao jornalista Raimundo Pereira

Dedicamos a presente edição a dois grandes homens: o poeta palestino Mahmoud Darwish (1942-2008) e o jornalista e escritor paulistano Lourenço Diaféria (1933-2008). - Ivana Jinkings

Sumário

Apresentação
Ivana Jinkings

Entrevista
Mike Davis
Por Otília Fiori Arantes, Ermínia Maricato, Mariana Fix e Michael Löwy

Dossiê: Resistências populares na cidade neoliberal
Cidade e capitalismo periférico: em direção à experiência popular
Ana Clara Torres Ribeiro

Alarme de incêndio no gueto francês
Paulo Arantes

Os movimentos de moradia e a questão urbana
Beatriz Whitaker

Artigos

A utopia liberal
Slavoj Žižek

Economia de mercado ou capitalismo financeiro oligopólico?
Samir Amin

O alfaiate de Ulm
Lucio Magri

Por onde anda o "outro mundo possível"?
Emir Sader

Cenas parisienses
Luiz Renato Martins

Goethe: o falsificado pelo fascismo e o autêntico
Miguel Vedda

Documento
Capitalismo e meio ambiente
Paul Sweezy

Comentário
Farocki: o olho máquina
Régis Michel

Resenhas
Lampião, senhor do sertão
Luiz Bernardo Pericás

Um encontro com o bom debate
Mauro Iasi

Michael Löwy, o infatigável
Paulo Barsotti

Notas de leitura
O jovem Marx e outros escritos de filosofia. Socialismo e democratização – Escritos políticos 1956-1971. Georg Lukács – Etapas de seu pensamento estético. Lukács e a arquitetura.
Maria Orlanda Pinassi

Os condenados da terra
João Alexandre Peschanski

Os irredutíveis: teoremas da resistência para o tempo presente
Fábio Mascaro Querido

A educação para além do capital
Caio Antunes

Carta à Margem
Para a história da esquerda
Francisco de Oliveira

Apresentação das imagens (CIA DE FOTO)
Imagens dos sem-avesso
Luiz Renato Martins

Poesia
Was es ist/ O que é
Erich Fried (tradução de Flávio Aguiar)

PUBLICAÇÕES NA IMPRENSA:


Bigorna
2008-11-17
Eloyr Pacheco



Lançamento Margem Esquerda #12 na USP (SP)

Será realizado amanhã, dia 18, a partir das 19h, no auditório da Faculdade de História da USP (Rua do Lago, 717 - Cidade Universitária), em São Paulo (SP), um debate com Francisco de Oliveira, Ermínia Maricato, István Jancsó e Maria Celia Paoli, com mediação de Luiz Renato Martins. O evento marca os lançamentos de Margem Esquerda #12 e do livro Noiva da revolução/Elegia para uma re(li)gião, de Francisco de Oliveira, ambos publicados pela Boitempo Editorial.

A Margem Esquerda #12, entre outros assuntos, traz apresentação de Ivana Jinkings; entrevista com Mike Davis, por Otília Fiori Arantes, Ermínia Maricato, Mariana Fix e Michael Löwy; Dossiê: Resistências populares na cidade neoliberal (Cidade e capitalismo periférico: em direção à experiência popular - Ana Clara Torres Ribeiro, Alarme de incêndio no gueto francês - Paulo Arantes, e Os movimentos de moradia e a questão urbana - Beatriz Whitaker) e os artigos A utopia liberal, de Slavoj Žižek, Economia de mercado ou capitalismo financeiro oligopólico?, de Samir Amin, O alfaiate de Ulm, de Lucio Magri, Por onde anda o "outro mundo possível"?, de Emir Sader, Cenas parisienses, de Luiz Renato Martins, e Goethe: o falsificado pelo fascismo e o autêntico, de Miguel Vedda. Entre as resenhas, destaque para Lampião, senhor do sertão, de Luiz Bernardo Pericás.

PUBLICAÇÕES NA IMPRENSA:


Agência Carta Maior
2009-01-31
Clarissa Pont



O mundo mudou e está em crise. E o Fórum Social Mundial?

O slogan "outro mundo possível" define a agenda do Fórum Social Mundial e a crise econômica mundial apontada por todos como um terremoto cujas ondas provocarão pesados estragos interroga-a agora frontalmente. Em um debate que reuniu Emir Sader, Michael Löwy e Luis Hernández Navarro, uma advertência se repetiu com diferentes matizes: o próprio FSM não está livre dessas ondas. Ou define uma estratégia de luta política que leva em conta o que pode ocorrer nos próximos meses, ou corre o risco de ser soterrado pelos escombros do mundo atual.

BELÉM - Em encontro promovido pela Revista Margem Esquerda, da Editora Boitempo, neste sábado (31), o sociólogo Emir Sader, o pesquisador do Centre National des Recherches Scientifiques (CNRS), Michael Löwy, e o jornalista Luis Hernandéz Navarro, do La Jornada, analisaram a situação atual do FSM e avançaram perspectivas para um público que lotou o Auditório Setorial Básico da Universidade Federal do Pára.

"O mundo está em crise. Lucien Goldmann disse que uma das características do capitalismo é a sua indiferença axiológica, sua indiferença ética e moral. Ele é perfeitamente compatível com a democracia, com a guerra, com a barbárie, com o fascismo. Essa é a indiferença ética do capitalismo. Temos três crises. A econômica, a alimentar e a ecológica. As conseqüências da crise ecológica devem ser dramáticas. Infelizmente não temos outro planeta para mudar no universo. Para enfrentar essas três crises nós temos que pensar em alternativas que sejam radicais, ou seja, que arranquem o mal pela raiz”, iniciou Michael Löwy, depois de devolver a agenda e o casaco de Boaventura Souza Santos. O sociólogo português, que participara de mesa pela manhã no mesmo local, havia esquecido seus pertences na mesa.

“Não vamos esperar que essa crise acabe com o capitalismo. Walter Benjamim, que é um pensador que eu respeito muito, dizia que o capitalismo nunca vai morrer de morte natural. Por mais que ele tenha crises, sempre dá a volta por cima. A não ser que a gente dê cabo dele. A solução não é uma versão mais verde, mais civilizada, mais ética e regulada do modo de produção capitalista. Nós temos que pensar em uma alternativa revolucionária”, completou Löwy. Segundo ele, a Amazônia é o local perfeito para a realização desta nona edição do FSM, já que os debates em torno da questão ambiental foram um dos eixos principais do encontro. Escolhido com antecedência de quase dois anos, o tema da Amazônia e de seu papel no equilíbrio ambiental do planeta deveria inicialmente ser o central de todo o evento, mas ficou circunscrito ao primeiro dia de atividades (na quarta, 28, aconteceu o Dia Pan Amazônico) e diluído em outros dez eixos escolhidos pelo Conselho Internacional para os demais dias. O tema da crise e da guerra na Palestina acabaram recebendo tanta ou mais atenção nesses dias que passaram.

E onde está o outro mundo possível, depois do encontro na Amazônia, para Löwy? “A resposta, como diz a canção, está no vento. Em particular, nos ventos da América Latina. A solução radical e revolucionária já está sendo discutida pelos movimentos sociais, por alguns governos, e é o que está se chamando de o socialismo do século XXI. É o nome dessa alternativa, é essa a resposta, é um outro paradigma de civilização. Esse socialismo se reclama de José Carlos Mariátegui, de Ernesto Che Guevara, de Farabundo Martí e se reclama de alguém como Chico Mendes”, respondeu.

Nesta edição, experiências importantes na América Latina em particular mostram que outro mundo continua sendo possível, principalmente pela experiência dos movimentos sociais e governos progressistas e de esquerda no continente. “Começou um período novo, é fundamental entender o momento em que os movimentos sociais elegeram seus próprios governos, como aconteceu na Bolívia. Agora se estabelece uma relação nova com a política e passa-se a disputar a hegemonia de outra forma. Digo isso não para tornar o Fórum governamental ou estatal, nada disso. Mas o Evo Morales não devia ter vindo fazer dois discursos. Devia ter trazido as experiências dele aqui”, disse Emir Sader.

Para ele, existe “uma espécie de pecado original do Fórum. Ele surgiu dirigido por um secretariado de oito organizações brasileiras, o problema é que seis são ONGs e duas são movimentos sociais, MST e CUT. Imagina a desproporção. MST e CUT têm a existência inquestionável, votam as suas decisões, elegem seus representantes. Apesar de algumas ONGs serem conhecidas, como o Ibase, outras são tão desconhecidas que dois de seus representantes mudaram sua representação, eles continuam lá, mas mudaram a representação da organização onde eles supostamente estão. Elegeu-se um secretariado amplo, mas formado por entidades de vários países que tem dificuldade de se estruturar, então eles continuam existindo como Comitê Facilitador”.

A tensão sobre os rumos do fórum vem desde Porto Alegre. Nos primeiros anos, houve quem negasse a luta política, quem fizesse cara feia diante da participação dos partidos e dos chamados movimentos sociais tradicionais (sindicatos, entidades estudantis e outros) e quem rejeitasse a idéia da força das ONGs na construção do processo do Fórum. Segundo Emir Sader, “as ONGs não podem ser o paradigma político de um outro mundo possível. Nós teremos que construir isso. Elas têm lugar aqui, no entanto, o protagonismo tem que ser dos movimentos sociais”. Luiz Hernandez Navarro, acredita que “isso gera uma contradição cada vez mais insustentável, que são as duas contradições principais do Fórum nos dias de hoje: entre a dinâmica e a lógica de funcionamento das ONGs e, por outro lado, o tipo de relação que é necessário estabelecer com a política institucional e com as mobilizações sociais e os governos progressistas”.

O jornalista mexicano ainda remontou uma parte da história do movimento altermundista: “O historiador inglês Eric Hobsbawm fala que o século XX começou com a Revolução Russa de 1917 e terminou com a queda do Muro de Berlim em 1989. Há quem afirme que o século XXI começou com o 1º de janeiro de 1994, a partir do levante do Exército Zapatista de Libertação Nacional, ou no final de 1999 com os protestos contra a OMC em Seattle, que apresentam o que depois viria a ser o movimento altermundista. É quando se começa a plantar a semente de um novo sujeito político social alternativo que o escritor Manuel Vasques Montalbán, já falecido, chamou de os globalizados. O novo século, então, começa com a revolta dos globalizados que seriam, na lógica dele, o equivalente ao proletariado nos primeiros anos do capitalismo. Que isso nos valha como uma descrição do que hoje estamos vivendo: a emergência deste novo ator que possui distintas características em todo o mundo, um ator constituído no marco da globalização capitalista”.

Navarro apresentou a seguinte análise sobre esse tema:

“Na tradição da esquerda, as internacionais eram tradicionalmente de origem operária. Eram os grandes sindicatos que serviam de coluna vertebral. Isso não existe mais, o movimento sindical está aí, é uma cor a mais no conjunto do Fórum, mas está muito longe de hegemonizar. Estamos falando aqui de algo que mescla três atores fundamentais: por um lado, ONGs e fundações internacionais, muitas das quais se apresentam como representantes da sociedade civil sem que seja correto falar assim, porque a sociedade civil por definição não tem representação. Não há quem possa falar pela sociedade civil. O segundo ator são claramente os movimentos sociais e o terceiro são os intelectuais e acadêmicos. Todos desempenham um papel dentro fórum muito complexo e difícil de definir".

"Depois de Nairóbi, em que até empresas privadas financiaram o Fórum, teve quem falasse de que a frase ‘outro mundo é possível’ deveria ser trocada para ‘outro turismo é possível’. Não estou exagerando. Dava impressão de que o modelo nascido em Porto Alegre encontrava seu esgotamento. Mas o Fórum hoje me parece três coisas. Primeiro, ele existe, não é uma invenção, não é uma quimera. O Fórum influi na tomada de decisões políticas de estados, influi em partidos e em movimentos sociais. O Fórum é a única organização multi-setorial internacional com um projeto emergente”.

Enfim, por onde anda o outro mundo possível quando diversas possibilidades não são mais utopia? Em Belém, em Porto Alegre? Em Seattle, nas primeiras manifestações contra a Organização Mundial do Comércio? Em Washington, Sidney ou Gênova, onde elas prosseguiram? No Equador, nas manifestações contra o Tratado de Livre Comércio Andino? Nos governos progressistas da América Latina? Na luta contra Davos, Guantánamo, e o massacre na Faixa de Gaza?

O slogan "outro mundo possível" define a agenda do Fórum Social Mundial e a crise econômica mundial apontada por todos como um terremoto cujas ondas provocarão pesados estragos interroga-a agora frontalmente. Seguindo as análises de Sader, Löwy e Navarro, o próprio FSM não está livre dessas ondas. Ou define uma estratégia de luta política que leva em conta o que ocorrerá no mundo nos próximos meses, ou corre o risco de ser soterrado pelos escombros do mundo atual.

PUBLICAÇÕES NA IMPRENSA:


PublishNews
2009-02-05




Nova Margem

Em uma entrevista que concedeu à Margem Esquerda Nº 12 (Boitempo Editorial, 160 pp., R$ 28) – coordenada pela professora Otilia Fiori Arantes, com a participação de Ermínia Maricato, Mariana Fix e Michael Löwy –, o historiador marxista Mike Davis expõe o pesadelo da produção em massa de miséria e caos urbano – uma “urbanização sem urbanidade”, causa maior da crise global do meio ambiente. Davis fala de sua trajetória intelectual, dos autores que o influenciaram e do trabalho como caminhoneiro. Faz uma crítica radical à celebração de que os pobres podem solucionar a crise da vida diária sem redistribuição de renda e de poder político.

A seção Documento traz um texto de Paul Sweezy, “Capitalismo e meio ambiente”, fundador e inspirador de movimentos ecológicos socialistas. Régis Michel assina o Comentário do semestre e trata da filmografia do berlinense Harun Farocki, “figura heroica do ex-novo cinema alemão, de onde saíram Straub, Kluge, Reitz e Wenders”.

A edição ainda traz três resenhas, quatro notas de leitura, imagens da Cia de Foto e uma carta de Chico de Oliveira ao jornalista Raimundo Pereira.

PUBLICAÇÕES NA IMPRENSA:


La Jornada
2009-02-07
Miguel Concha



Conclusiones del Foro Social Mundial

Al terminar los trabajos del octavo Foro Social Mundial (FSM), al que tuve la oportunidad de asistir acompañando a la Comisión de Justicia y Paz de los dominicos y dominicas de Brasil, miembros del Comité Organizador Internacional informaron que 133 mil personas provenientes de 142 países participaron en las 2 mil 310 actividades autogestionadas que se realizaron en Belem do Pará, del 28 al 31 de enero pasado. En éstas se inscribieron 489 instituciones, organizaciones, colectivos o movimientos de África, 119 de América Central, 155 de México y América del Norte, 334 de Asia, 4 mil 193 de América del Sur y 491 de Europa. Por primera vez Oceanía estuvo representada con 27 de estas entidades.

Significativamente, en el enorme campamento dedicado a los derechos humanos se reunieron durante estos días 10 mil personas, lo que se considera un récord, y en él estuvieron representadas centenas de redes y organizaciones. Un promedio de 250 personas asistieron a cada una de las numerosas actividades que allí se realizaron, en las que sobre todo se discutió sobre las violaciones a los derechos económicos, sociales, culturales y ambientales, llevadas a cabo por los gobiernos y las empresas con sus grandes proyectos hidroeléctricos, mineros y agropecuarios, sobre la criminalización de los movimientos sociales, y sobre las persecuciones y amenazas que padecen defensoras y defensores de derechos humanos.

Se informó igualmente que se llevaron a cabo 200 reuniones más, en las que participaron aproximadamente mil artistas, que representaron la diversidad cultural de los pueblos del mundo. Y que la prensa colaboró con 4 mil 500 profesionales de la comunicación: 2 mil acreditados y otros 2 mil que informaron sobre las actividades, conectándose por medio de Internet. Este conjunto comprendió periodistas independientes y representantes de 800 medios acreditados de comunicación de 30 países, entre ellos La Jornada, de México, que por cierto en el encuentro promovido por la revista Margen Izquierda, de la Editorial Boitempo, sobre el futuro del foro, fue repetidamente reconocida por el sociólogo Emir Sader, ante un auditorio atestado de gente, como un periódico crítico excepcional en el mundo.

Teniendo en cuenta la Carta de Principios, que establece que el FSM no tiene carácter deliberativo, y que aunque funcione como instancia articuladora no tiene la pretensión de ser un espacio de representatividad de la sociedad civil mundial, al final de la tarde del pasado domingo se leyeron los documentos elaborados en 22 asambleas temáticas, en los que se sintetizaron los principales puntos que se discutieron durante los cuatro días del foro. Teniendo como ejes los derechos humanos, la justicia ambiental, los derechos colectivos de los pueblos, y acciones para preservar la región panamazónica, en ellos se establecen compromisos para seguir enfrentando integralmente las consecuencias de muerte del sistema capitalista, que en la óptica de los movimientos sociales del mundo ha generado una economía, una política y una civilización totalmente desconectadas de las necesidades más elementales de los pueblos y de los derechos de la naturaleza.

Como siempre ha sucedido en todos estos foros, en esa asamblea general se acordaron también una serie de acciones internacionales de los movimientos sociales, que incluyen para este año movilizaciones para defender el derecho humano al agua y su administración no comercial y sustentable durante el foro promovido por las multinacionales en Estambul, Turquía, a partir de la tercera semana de marzo; su presencia en el encuentro de los principales países industrializados y emergentes en Londres, los primeros días de abril, para presionar al mundo por una alternativa a la actual crisis inédita del sistema capitalista, y el 4 de abril en Estrasburgo, ante el Parlamento Europeo, y después, el 28 de julio en Italia, para seguir promoviendo un mundo sin armas y sin guerras. Para el 12 de octubre está prevista una movilización global de las organizaciones indígenas contra la mercantilización de la vida, los transgénicos y la defensa de sus derechos a la tierra y a sus territorios, y en diciembre de este año en Copenhague, escenario de la reunión de la ONU sobre el cambio climático, un encuentro global para promover las conclusiones del foro sobre este urgente tema.

En torno a los ejes de la criminalización de la protesta social, la violencia de género, la discriminación y los derechos económicos, sociales y ambientales, la declaración del foro sobre derechos humanos establece también propuestas concretas de solidaridad entre las organizaciones y los movimientos sociales, campañas globales y mecanismos de vigilancia, control y comunicación para detener el avance en las violaciones a los derechos humanos por parte de agentes particulares y de gobiernos, así como acciones de solidaridad con el pueblo palestino y la autodeterminación de las naciones y los pueblos originarios.

Al final del foro casi todos los comentarios de los participantes coincidieron en que éste va en la dirección correcta, cada vez más fortalecido por la crisis actual del sistema capitalista, pero que es necesario atraer a más entidades de Asia, África, el este de Europa y otras regiones del mundo. Quedó, sin embargo, sin resolver la polémica, también cada vez más intensa, de si el foro puede asumir tomas de posición más concretas en torno de temas urgentes, así sea por medio de las Asambleas de los Movimientos Sociales.


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05/03/2013 - Marx: a criação destruidora
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