Nos Estados Unidos ainda se faz um Mike Davis, intelectual de esquerda, com elã, humor e cabedal histórico. Os artigos reunidos em Apologia dos Bárbaros - Ensaios contra o Império (Boitempo, 352 págs., R$ 49), escritos entre 2001 e 2007 em revistas como a New Left Review, entre outras, desnudam com precisão a sinistra histeria e os métodos fascistas redobrados da direita norte-americana, incluindo a incrustada no establishment democrata.
Circunstanciadas são as denúncias, por exemplo, do sórdido sistema penitenciário da Califórnia (um grande negócio). Da obsessiva corrida da era Bush (ou seja, a guerra contra todos, em toda parte e para sempre). Da sanha de reverter o New Deal e, se possível, o século XX inteiro, privatizando o combalido Bem-Estar Social dos EUA. Da expansão urbana que volta a segregar negros e amplia a xenofobia contra o "perigo pardo" (imigrantes hispânicos, legais ou não). Da política de "limpeza étnica" por inércia, em Nova Orleans, conforme o dogma de que tanto a cultura negra urbana quanto a "parda" são patológicas.
Há uma ótima entrevista na qual Davis resume o essencial para uma história mundial do terrorismo revolucionário (1878-1932). Em 2007, Barack Obama, a seu ver um "misterioso fenômeno", só era passível de ser reciclado como candidato a vice. O autor procura ser um radical rebelde, eqüidistante de ideologias apocalípticas de direita ou de esquerda.
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