Entrelaçadas, cinco palavras sustentaram como uma rede de segurança o pensamento crítico do século 20: indústria, democracia, classe, arte e cultura. Nenhuma inquietação do pós-guerra se deu sem que elas estivessem na ponta da língua ou estampadas em alguma bandeira puída. Mas a linguagem teve de esgarçar-se para acobertar as significações do fim do século. E uma conceituação “moderna” – como o próprio “modernismo”, aliás – foi urgente para dar conta de tantas mudanças. Os ismos foram relidos, a televisão alimentou a propaganda e novos problemas careceram de novos pensamentos, como sexo, ecologia, ou a tecnologia.
As novas idéias chamaram a atenção do crítico literário Raymond Williams, expoente da chamada nova esquerda britânica, que ao voltar para Cambridge, depois de servir ao Exército inglês durante a Segunda Guerra, reuniu cerca de 133 termos que tiveram o significado determinado pelas mudanças estruturais da sociedade daquele período. Palavras como “alienação”,”violência”, “terra” ou “pragmatismo”. E Williams dissecou a maneira como cada pensamento fora costurado.
O crítico, no entanto, não gostava de tomar a obra por um dicionário ou glossário. Não. Era antes uma “compilação de idéias”, uma “investigação de vocabulários”. Palavras-chave: um vocabulário de cultura e sociedade só agora chega ao Brasil, depois de 24 anos de idealizado, mas a edição da Boitempo traz um apêndice que anula a espera: um acréscimo de outros 13 termos inerentes à contemporaneidade, como globalização, realidade virtual e internet. |