Em primeiro lugar, é bom que se esclareça algo sobre O Suicídio (Boitempo Editorial, tradução de Rubens Ederle): ao contrário do que diz a capa, este não é um livro do historiador, filósofo e economista alemão Karl Marx, autor de O Capital. Na verdade, seu autor não é nem historiador, nem filósofo e nem economista, e nem sequer alemão: é o arquivista policial e ex-membro do partido monarquista Jacques Peuchet. As edições do livro trazem o texto integral de Peuchet, com algumas anotações e comentários de Marx ao pé da página, e nisso se resume a sua participação na obra. Porque, então, considerá-lo como o verdadeiro autor, deixando a Peuchet a posição de citação de pé de página?
Primeiramente, devemos saber do que trata O Suicídio. Peuchet cita casos de suicídios registrados na França e apresenta estatísticas sobre eles, relacionando-os às questões sociais envolvidas (pobreza, conflitos familiares, etc, etc). Apesar do interesse que o artigo desperta, seu destino seria o esquecimento se Marx não o tivesse estudado, e aí está a razão pela qual foi incluído entre as suas obras. O fato de tê-lo escolhido e comentado indica ainda o quanto ele tem a ver com a teoria marxista que, na época, ainda estava em formação. A crítica às injustiças sociais da moderna sociedade burguesa aqui aparece como a crítica às causas que levam o homem a jogar fora a sua própria vida – isto é, o capitalismo desenfreado.
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