Curiosamente, uma outra biografia de Roberto Carlos, Como Dois e Dois São Cinco (Boitempo Editorial), permanece nas livrarias – liberada e discreta.
O autor da biografia “não proibida” do “Rei”, o jornalista Pedro Alexandre Sanches, não disfarça certo espanto diante do silêncio em relação ao seu livro e esboça algumas explicações para o caso que, a seu ver, é não só lamentável como perigoso.
Pedro chama a atenção, em primeiro lugar, para o comportamento da mídia. “Na época do primeiro veto e do confisco de parte da tiragem do livro do Paulo César, a imprensa demonstrou aquela indignação de praxe. Mas, para ser sincero, a indignação me parece de fachada.”
Ele diz não ter visto nenhum esforço por parte da imprensa para compreender realmente o que estava acontecendo, quais eram as motivações do Roberto Carlos. “Será que não são motivações mais econômicas do que filosóficas?”, pergunta. De fato, se o livro de Araújo fizer sucesso, sua biografia “oficial” pode não vender o que ele sonha.
O jornalista e crítico musical jamais foi procurado para falar sobre porque o seu livro, publicado dois anos antes de Roberto Carlos em Detalhes, não foi perseguido pelo “rei”.
“Se não perguntaram para mim, acho que posso concluir que também não perguntaram ao Roberto Carlos, aos advogados dele, às editoras. Não é esquisito isso? É uma pergunta para a qual não tenho resposta, e que me angustia bastante.”
“Não consigo entender o desinteresse geral e a falta de curiosidade sobre o que motivou e diferenciou os dois casos, e sobre que consequências perigosas disso tudo não para o Roberto ou para a editora Planeta, mas para o Brasilzão, para o direito que temos ou não temos de saber da nossa própria história e de escrever e ler com liberdade. De “gozar a liberdade de uma vida sem censura”, como dizia um certo grande cantor.
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