Edyr Augusto não tem sono, fala que dorme aborrecido pelo que está perdendo enquanto fecha os olhos.
Meu nome é Edyr Augusto Proença. Paraense, de Belém, nasci em 24 de março de 1954. Portanto, estou completando 50 anos e o presente que pedi para Ivana Jinkings, da Boitempo, foi o lançamento de meu novo romance, “Casa de Caba”. Não consigo entender, ter 50 anos. Talvez o corpo diga isso, mas o cara que me habita e que fala pelos meus olhos, não tem mais do que 18. Tenho dois filhos, Felipe (25) e Arthur (20), meus melhores amigos. Ariano, com ascendente em Capricórnio, já utilizei meu mapa astral em texto de peça de teatro. Sou ansioso, nervoso, ávido, compulsivo. Rôo unhas, tomo 3 litros de Coca Light por dia e fumo quase duas carteiras de cigarro. Mas também malho e jogo futebol. Não tenho sono. Durmo aborrecido pelo que estou perdendo enquanto fecho os olhos. Não tenho livro preferido porque estou sempre lendo novidades. Mas de vez em quando pego “Ficções do Interlúdio”, reunindo poemas de Fernando Pessoa. Como trabalho em rádio e sou compositor de pelo menos uns 300 jingles, embora não toque nenhum instrumento, meu gosto por música é louco. Gosto do que gosto. Compro muitos discos. Sim, gosto de rock. Gosto de mpb moderna. De jazzfusion. Sei lá. Dizem que os arianos gostam do vermelho, mas me visto muito de preto. Gosto de junk food e comida italiana. Ainda vou pagar caro por isso. Como muitos que moram fora do eixo Rio/SP, sou Flamengo no Rio, São Paulo em São Paulo. Aqui em Belém, não posso dizer, em função da presunção da imparcialidade. Trabalho, às vezes, como comentarista de futebol para televisão local. Por isso, publicamente, não posso dizer meu clube de coração. E é claro que tenho. Fui criado nas praias de Mosqueiro, uma ilha próxima a Belém, que sofre influencia do oceano e permite até campeonato de surf. Mas há muito que não vou lá. Já tive alguns cachorros. O último era o “Jimi Hendrix”. Hoje, está em Brasília, com uma prima. Gosto de viajar. De me sentir estrangeiro. Na verdade, me sinto estrangeiro onde quer que esteja. Uma vez, estava em San Francisco, sozinho, e ouvi “Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan. Chorei. Era eu. Me sinto próximo dessas pessoas que moram nas ruas, vagando sem destino. Isso briga com meu lado racional, que administra uma emissora de rádio. Mas não me levo a sério. |