Uma artista pop internacional, políticos corruptos, um jornalista idealista e dois irmãos em busca de vingança. Desejo, ódio, violência, sexo e paixão. Como pano de fundo, uma Belém caótica, quente, frenética, decadente. Esse é o cenário do novo romance do escritor, jornalista, publicitário, radialista e dramaturgo Edyr Augusto. “Casa de caba” (editora Boitempo) reafirma o estilo tenso, rápido e fragmentado que Edyr Augusto vem imprimindo em seus livros. Com ele, o autor, de 50 anos, insere Belém cada vez mais fundo no contexto da nova literatura urbana brasileira.
Mais do que qualquer personagem, é Belém que se destaca no seu novo livro. É proposital?
EDYR AUGUSTO: Completamente. Meus amigos estão dizendo isso e eu quero é ter realmente esse tipo de retorno. Em primeiro lugar quero que as pessoas de Belém se reconheçam na história. E também quero que as pessoas de outros estados tenham a possibilidade de ter um novo cenário, imaginando Belém. Se lemos romances paulistas que se referem a bairros como os Jardins, ou citam a Avenida Paulista, qual o impedimento de se fazer o mesmo em relação a Belém?
Mas aparentemente o reconhecimento vem até mais de fora de Belém. A que se deve isso?
EDYR: Eu sinto também que a aceitação vem mais de fora do estado. Mas é porque em Belém estamos vivendo há uns dez anos ou mais uma espécie de massacre cultural. Não temos incentivo para os novos autores e também não há nenhum programa de relançamento de obras esgotadas. Em Belém as pessoas que lançam livros acabam fazendo isso para uma rodada de amigos. Depois os livros mofam nas prateleiras, porque não há como fazê-lo chegar a um número maior de pessoas.
“Casa de caba” soa como um livro mais equilibrado dentro do seu estilo. Não é radical como “Moscow” nem ainda tateante como “Os Éguas”.
EDYR: É verdade. Eu acho que preciso burilar ainda o que quero escrever. “Os Éguas” foi onde eu descobri minha velocidade no texto, na história. “Moscow” surgiu mais como um exercício de linguagem. “Casa de caba” equilibra-se entre esses dois pólos. É um processo que ainda estou aprendendo, mas o resultado de “Casa de caba” me agrada bastante.
O livro ganha uma intensidade maior do meio para o fim. Parece que no início a história ainda estava meio indefinida.
EDYR: Concordo. É que os acontecimentos foram muito velozes. Eles foram se precipitando de forma vertiginosa, mas os personagens são o que são. Não são nem mocinhos nem bandidos. Isso me atrai, já que não gosto do maniqueísmo em personagens.
Para quem mora em Belém alguns personagens podem soar familiares. Isso o preocupa de alguma forma?
EDYR: Nem um pouco. É minha história. É ficção, mas num local verdadeiro. Minha única preocupação é oferecer um novo cenário para uma boa história.
Apesar dos temas diferentes, há quem ache sua escrita um pouco parecida com a de Marcelo Rubens Paiva, pela linguagem quase telegráfica. O senhor não teme que isso possa virar uma camisa de força?
EDYR: Esse é um estilo que eu adotei. Ele é bastante nervoso. A pontuação é veloz. Faz parte do cotidiano humano hoje em dia. Mas cada ponto meu, cada frase minha embute alguns parágrafos. Isso é bem pensado por mim. Quando eu trabalho isso, da forma vertiginosa com que eu trabalho, estou instigando o leitor a ir fundo, querendo saber o que vai acontecer logo, mas sem perder o ritmo. Quero agarrar o leitor pelo colarinho e grudá-lo na página.
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