A Boitempo vem sendo alvo de ataques por parte de veículos da mídia conservadora. Estes se prestam não a informar mas a divulgar supostas denúncias, não apuradas, feitas por César Benjamin contra Emir Sader e a editora da Boitempo, Ivana Jinkings.
Esta nota pretende esclarecer as pessoas que se relacionam com a editora autores, leitores, jornalistas, colaboradores, livreiros etc. em relação às acusações, divulgadas de forma leviana por alguns meios de comunicação e jornalistas da dita grande imprensa, que (ainda) é grande em tamanho embora cada vez menor em ética. Certos jornalistas não entendem, e seus chefes já não toleram, uma editora que sobrevive e cresce com um catálogo coerente e de qualidade, não pautado pela tábula rasa do mercado. Querem desabonar a Boitempo justamente porque não aceitam que nem todos se pautem pela ética do dinheiro, da obediência de escriba aos senhores do capital. Os ataques visam ainda a envilecer a esquerda: os que se vendem não admitem a existência dos que resistem. Assim, para os da mídia comprometida, não devemos nenhuma explicação.
César Benjamin acusa a Boitempo de ter superfaturado a edição do livro Governo Lula: decifrando o enigma , feito em parceria com o projeto Outro Brasil, que Benjamin integrou, e que foi financiado com recursos da Fundação Rosa Luxemburgo. A acusação foi lançada em meio a outras primeiro por correio eletrônico, em 2004, o que motivou a editora a iniciar um processo por calúnia e difamação contra Benjamin e agora é retomada, associando-se à agenda de jornalistas da Folha de S.Paulo e da Veja , interessados menos em verificar a autenticidade da acusação e mais em destruir a imagem pública de intelectuais de esquerda e da editora Boitempo. Por essa razão, não respondemos a questões enviesadas feitas após a publicação da denúncia sem procurar ouvir o outro lado por Fernando de Barros e Silva, para não lhes emprestar uma aura de legitimidade e imparcialidade que não possuem.
Aos fatos: a edição do livro foi orçada em 31,5 mil reais. Por quem? Pelo projeto Outro Brasil, cujo coordenador na época era César Benjamin, para ser feita por sua editora, a Contraponto. Agora, o editor aparece na revista Veja , notória porta-voz da direita, dizendo que a produção do livro custaria apenas 10 mil reais. Mas a verdade é que Benjamin, ao ser informado de que teria de se submeter a uma licitação (exigência da Fundação Rosa Luxemburgo), desistiu da publicação. E lamentava que com sua desistência a edição perdia, entre outras, vantagens como "a praticidade e a confiabilidade, na medida em que eu [César Benjamin] me tornava completamente responsável, diante da equipe e da Fundação, por assegurar a melhor combinação possível de qualidade, velocidade e custos". Alegava, após reconhecer que conseguiu da Fundação uma verba de 100 mil euros, que não poderia ser licitado e licitante, o que é correto, mas considerava correto ser contemplado sem a licitação! Ou seja, gostaria de fazer o livro, mas não aceitaria confrontar seu orçamento com o de outras editoras.
A Boitempo teve aprovado um orçamento de R$ 29.800,00. É provavelmente o primeiro caso de "superfaturamento" em que o custo final revelou-se menor que o orçado. Para entregar o livro na data acordada, a Boitempo contratou profissionais experientes; alterou-se a programação da editora, suspenderam-se projetos, assumiram-se custos, levando em conta a urgência da edição. Não era um projeto da Boitempo e sim um serviço a ser prestado. Benjamin, ao contrário, integrava (na época coordenava) o projeto Outro Brasil, era remunerado por ele, e ainda assim preparava a edição, sem crises de consciência, por quase 2 mil reais a mais. Como disse Dostoievski e um certo editor costuma lembrar, se Deus não existe, tudo é possível...
O livro foi produzido e entregue, com a qualidade, a pontualidade e a competência que são características reconhecidas da editora. O projeto como um todo, incluindo relatório financeiro, foi aprovado e renovado pela Fundação Rosa Luxemburgo.
Há dois anos, Ivana Jinkings pediu a Benjamin que se retratasse, que enviasse a sua resposta para as listas em que divulgou o e-mail difamatório; diante da recusa na retratação, recorreu-se à Justiça. Em uma nítida e completa inversão dos fatos, a Folha e a Veja não só trataram o processo de calúnia e difamação como contrário à Boitempo, em vez de sinal claro de sua seriedade, como também encararam o arquivamento do processo como se isso desse alguma razão ao acusado. Não divulgaram a verdade, que o processo era da Boitempo contra Benjamin, e que foi arquivado por questões de prazo (ficou sem acompanhamento jurídico ao ser transferido para Brasília, porém sua retomada está em curso), sem que o mérito da questão pudesse ter sido julgado.
Notícias filtradas, editorializadas, e que merecem nosso repúdio. Sem democratização da mídia, não haverá democracia no Brasil. As acusações de Benjamin são mais um capítulo dos ataques que a direita faz há tempos à esquerda. Quiseram pautar as eleições e perderam. Condenaram um professor e conseguiram unir um amplo espectro contra a decisão do juiz em processo movido pelo senador Jorge Bornhausen, cuja imagem nunca poderá ser dissociada do regime militar, do governo Collor e dos interesses dos banqueiros. Sartre, se vivo fosse, poderia se basear nesse episódio para escrever A náusea 2 .
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