Título: Primeiro como tragédia, depois como farsa
Título Original: First as tragedy, then as farce
Autor(a): Slavoj Zizek
Prefácio: Slavoj Zizek
Tradutor(a): Maria Beatriz de Medina
Páginas: 136
Ano de publicação: 2011
ISBN: 978-85-7559-174-1
Preço: R$ 34,00
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Em Primeiro como tragédia, depois como farsa – analogia à famosa frase de Karl Marx em O dezoito brumário sobre a repetição dos Bonaparte no poder (Napoleão e Luís) –, o filósofo esloveno Slavoj Žižek sustenta a tese de que vivemos em uma nova etapa do capitalismo global, na qual o mesmo discurso que garantiu uma ofensiva geopolítica após os atentados de 11 de setembro tem encontrado dificuldade em se sustentar no período pós-crise financeira de 2008. Traçando uma argumentação tanto da tragédia como da atual farsa, o autor expõe o cinismo contemporâneo dos pregadores e praticantes da democracia liberal ao analisar o discurso do presidente Bush em dois momentos diferentes que evocam a suspensão parcial dos valores norte-americanos (garantia de liberdade individual, capitalismo de mercado) para salvar da falência esses mesmos valores. A Žižek parece, portanto, que a utopia democrático-liberal teve de morrer duas vezes, já que o colapso da utopia política do 11 de Setembro não trouxe o fim da utopia econômica do capitalismo de mercado global, o que só ocorreu com a crise financeira de 2008.

Para o autor, o mais atual anacronismo vivido pelas nações modernas teve início com a queda do Muro de Berlim, evento histórico que parecia anunciar a vitória da democracia liberal e o surgimento de uma comunidade global sem fronteiras. O 11 de Setembro, no entanto, revelou um movimento oposto com o surgimento de novos muros e contradições: entre Israel e Cisjordânia, em torno da União Europeia, na fronteira entre Estados Unidos e México e até no interior de Estados-nações, que acolhem “cidadãos globais” que vivem isolados em “castelos na Escócia, apartamento em Manhattan e ilha particular no Caribe”, além dos moradores das favelas e bolsões de pobreza, que são o outro lado da mesma moeda.

As condições e conseqüências da crise em curso são abordadas em uma análise que se auto-afirma engajada. Dividido em dois capítulos, o livro faz um diagnóstico do âmago utópico da ideologia capitalista e busca localizar aspectos dessa difícil situação que abrem espaço para novas formas de práxis comunista. “A única maneira de compreender a verdadeira novidade do novo é analisar o mundo pela lente do que era ‘eterno’ no velho”, afirma Zizek. Tomando a idéia de comunismo como “eterna” não no sentido de uma série de características universais e abstratas que podem ser aplicadas em toda parte, mas no sentido de que deve ser reinventada a cada nova situação histórica, Zizek propõe uma mudança de perspectiva, que questione a situação atual do ponto de vista da idéia emancipadora e não mais a pertinência desta como ferramenta de análise e prática política.

Trecho do livro

“(...) na democracia, cada cidadão comum é de fato um rei – mas um rei numa democracia constitucional, um monarca que decide apenas formalmente, cuja função é apenas assinar as medidas propostas pelo governo executivo. É por isso que o problema dos rituais democráticos é semelhante ao grande problema da monarquia constitucional: como proteger a dignidade do rei? Como manter a aparência de que o rei toma as decisões, quando todos sabemos que isso não é verdade? Trotsky estava certo então em sua crítica básica à democracia parlamentar: não é que ela dê poder demais às massas não instruídas, mas que, paradoxalmente, apassive as massas, deixando a iniciativa para o aparelho do poder estatal (ao contrário dos ‘sovietes’, em que as classes trabalhadoras se mobilizam e exercem o poder diretamente). Por conseguinte, o que chamamos de ‘crise da democracia’ não ocorre quando os indivíduos deixam de acreditar em seu poder, mas, ao contrário, quando deixam de confiar nas elites, que supostamente sabem por eles e fornecem as diretrizes, quando vivenciam a angústia que acompanha o reconhecimento de que ‘o (verdadeiro) trono está vazio’, de que a decisão agora é realmente deles. É por isso que, nas ‘eleições livres’, há sempre um aspecto mínimo de boa educação: os que estão no poder fingem educadamente que não detêm de fato o poder e nos pedem para decidir livremente se queremos lhes dar o poder – num modo que imita a lógica do gesto feito para ser recusado.”

Sobre o autor

Slavoj Žižek nasceu na cidade de Liubliana, Eslovênia, em 1949. É filósofo, psicanalista e um dos principais teóricos contemporâneos. Transita por diversas áreas do conhecimento e, sob influência principalmente de Karl Marx e Jacques Lacan, efetua uma inovadora crítica cultural e política da pós-modernidade. Professor da European Graduate School e do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Žižek é também um dos diretores do centro de humanidades da Universidade de Londres. Dele, a Boitempo publicou Bem-vindo ao deserto do Real! (2003), Às portas da revolução (2005), A visão em paralaxe (2008), Lacrimae rerum (2009) e Em defesa das causas perdidas (2011).


PUBLICAÇÕES NA IMPRENSA:

14/05/2011 - O Globo - Prosa e Verso - No Prelo - Zizek no Brasil - Da Redação.

 

15/05/2011 - Folha de S. Paulo - Ilustríssima - Slavoj Zizek, um sujeito incômodo - Vivian Whiteman

 

15/05/2011 - Folha de São Paulo - Ilustríssima - O ecletismo previsível de Slavoj Zizek - Joaquim Toledo Jr.

 

17/05/2011 - O Outro Lado da Notícia - Lançamento: "Primeiro como tragédia, depois como farsa" - Da Redação.

 

20/05/2011 - Bom Dia - Profeta da esquerda radical - Fabiano Alcântara

 

20/05/2011 - Dilma na rede - Em defesa das causas perdidas: Zizek faz conferências e lança dois livros no Brasil - Da Redação.

 

21/05/2011 - Folha de S. Paulo - Mercado - Economia - Da Redação.

 

21/05/2011 - Diário de Pernambuco - Zizek - Paulo Carvalho

 

24/05/2011 - O Globo - Slavoj Zizek, que fala nesta terça no Odeon, dilui as fronteiras entre a alta cultura e o universo pop plantão - Luciano Trigo

 

25/05/2011 - G1 - Máquina de Escrever - Impasses de Slavoj Zizek, o ‘Elvis da filosofia’ - Luciano Trigo

 

25/05/2011 - Folha de S. Paulo - Ilustrada - Oscar premiou filmes nojentos e reacionários, diz Zizek - Claudia Antunes

 

25/05/2011 - Opera Mundi - Slavoj Zizek: 'O capitalismo não é a única opção para a humanidade' - Paulo Pastor Monteiro

 

26/05/2011 - Portal PUC-Rio Digital - Zizek critica os "rituais obsessivos" da ecologia - Isabela Sued, Bruno Alfano e Pedro Sodré

 

26/05/2011 - Fazendo Media - Slavoj Zizek no Brasil: "Não há uma solução simples, e a questão da ecologia é impregnada de ideologia" - Eduardo Sá e Laís Bellini

 

28/05/2011 - O Globo - Prosa e Verso - Slavoj Zizek e a novidade do comunismo - Miguel Conde

 

29/05/2011 - Revista Época - Slavoj Zizek: "A liberdade da internet é falsa" - Nelito Fernandes

 

31/05/2011 - Revista Espaço Aberto - Primeiro como tragédia, depois como farsa - Da Redação.

 

03/06/2011 - Carta Capital - Distorções ideológicas - Slavoj Žižek

 

07/06/2011 - O Estado do Direito - Slavoj Zizek e o Direito - Jorge Barcellos

 

09/06/2011 - Revista Cult - Entrevista - Z de Zizek - Ernane Guimarães Neto

 

09/06/2011 - Revista Cult - Colunista - A farsa como verdadeira tragédia - Vladimir Safatle

 

09/06/2011 - Le Monde Diplomatique - Cuidado: Zizek pode estar certo - Jorge Barcellos

 

11/06/2011 - SINA - Cuidado: Zizek pode estar certo - Jorge Barcellos

 

11/06/2011 - O Estado de S. Paulo - Sabático - Estante - Redação

 

15/06/2011 - Revista Brasileiros - Capitalismo em xeque - Marcelo Pinheiro

 

19/06/2011 - Terra Magazine - Farsa como tragédia? - Francisco Viana

 

25/06/2011 - Página 13 - Slavoj Zizek: capitalismo é que é uma utopia e que não funciona! - Paulo Pastor Monteiro

 

03/07/2011 - Balaio de Notícias - O filósofo pop - Paulo Lima

 

04/07/2011 - plurale em site - O filósofo pop - Paulo Lima

 

05/07/2011 - Nós da comunicação - Slavoj Zizek: o filósofo pop - Paulo Lima

 

09/07/2011 - Zero Hora - Desfruta ou te devoro. A nova onda do comunismo - Jorge Barcellos

 

10/07/2011 - Instituto Humanitas Unisinos - Desfruta ou te devoro. A nova onda do comunismo - Jorge Barcellos

 

10/07/2011 - Jornal de Piracicaba - Primeiro como tragédia, depois como farsa - Da redação

 

12/07/2011 - Valor - Eu e Livros - O sistema está aí, e a história continua - Oscar Pilagallo

 

15/07/2011 - Diário de Pernambuco - Viver - É preciso castrar o estuprador - Paulo Carvalho

 

01/08/2011 - Revista Filosofia - Muros que cercam o mundo - Slavoj Zizek

 

09/08/2011 - Conhecimento Prático Filosofia - A verdadeira utopia - Slavoj Zizek

 

20/08/2011 - Revista Filosofia. - Contrassenso - Da Redação

 

22/08/2011 - Folha de Pernambuco - A filosofia política de Slavoj Žižek - Rodrigo Almeida

 

23/08/2011 - Diário do Nordeste - O fenômeno Slavoj Zizek - Dellano Rios

 

01/10/2011 - Folha de S. Paulo - Ilustrada. - Digital - Josélia Aguiar

 

14/10/2011 - Revista Sociologia - Primeiro como tragédia, depois como farsa - Alessandra Devulsky Tisescu

 

14/11/2011 - Jornal La Estampa - O estrangeiro descafeinado. Artigo de Slavoj Zizek - Slavoj Zizek

 

28/11/2011 - Brasil de fato - A bomba estourou, todos sabem, mas "essa crise planejada afetou os países muito seletivamente". - Luis Ricardo Leitão

 

29/11/2011 - Instituto Zequinha Barreto - A bomba estourou, todos sabem, mas “essa crise planejada afetou os países muito seletivamente” - Luiz Ricardo Leitão

 

 

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05/03/2013 - Marx: a criação destruidora
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