Título: A guerra civil na França
Autor(a): Karl Marx
Prefácio: Friedrich Engels
Tradutor(a): Rubens Enderle
Páginas: 272
Ano de publicação: 2011
ISBN: 978-85-7559-173-4
Preço: R$ 43,00
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No ano em que se comemoram os 140 anos da Comuna de Paris, a Boitempo Editorial publica uma tradução inédita de A guerra civil na França, texto escrito originalmente em 1871 por Karl Marx como “Terceira Mensagem do Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT)” e difundido como livro na Europa e nos Estados Unidos. Em edição posterior, de 1891, Friedrich Engels acrescentaria as duas primeiras mensagens de Marx para a Internacional, complementando as bases dos estudos históricos dessa que foi a primeira experiência histórica de tomada de poder pela classe trabalhadora.

A célebre obra traz ao mesmo tempo um retrato da breve existência (72 dias) da Comuna de Paris e um chamado à ação da classe trabalhadora francesa contra a repressão praticada pelas forças militares de Versalhes em oito dias de extermínio do poder comunal, de 21 a 28 de maio de 1871, conhecida como “Semana Sangrenta”. Marx apresenta um relato entusiasmado sobre a defesa de Paris por uma maioria de origem operária.

O regime comunal é revelado pelo filósofo alemão como a forma política que levaria à emancipação econômica do trabalho, em que este deixa de ser um atributo de classe. “É uma obra de alcance universal sobre como a usurpação do poder promovida pelos representantes da burguesia, das camadas médias e dos setores rurais timbrados pelos interesses dinásticos foi confrontada pela crítica das armas dos trabalhadores”, afirma o historiador e professor de história da PUC, Antonio Rago Filho, em texto de apresentação do livro.

Para o historiador da USP, Lincoln Secco, responsável pelo texto de capa da obra, a leitura dos escritos de Marx é essencial para uma revisão da Comuna de Paris: “Se em O 18 de Brumário de Luís Bonaparte Marx nos mostrava como um homem medíocre pôde governar sob a fantasia de ‘Napoleão III’, aqui ele nos responde por que um mentiroso, um corrupto e um falsificador conseguiram derrotar a Comuna e liderar o regime anônimo da burguesia: a República Parlamentar”.

Com tradução – diretamente dos originais em inglês e alemão – e notas de Rubens Enderle, a edição da Boitempo incorpora rascunhos de Marx e uma introdução de Friedrich Engels para a publicação de 1891. O volume traz ainda correspondências, uma entrevista de Marx a R. Landor e a cronologia da Comuna, acompanhada de um índice onomástico das personagens citadas no texto principal e de uma cronobiografia resumida de Marx e Engels – que contém aspectos fundamentais da vida pessoal, da militância política e da obra teórica de ambos –, com informações úteis ao leitor, iniciado ou não na obra marxiana.

Trecho

“Thiers, esse gnomo monstruoso, encantou a burguesia francesa por quase meio século por ser a expressão intelectual mais acabada de sua própria corrupção de classe. Antes de se tornar um estadista, ele já havia dado provas de seus poderes mentirosos como historiador. A crônica de sua vida pública é o relatório dos infortúnios da França. (...) O Segundo Império havia mais do que dobrado o déficit nacional e mergulhado todas as grandes cidades em pesadas dívidas municipais. A guerra havia aumentado espantosamente o passivo da nação e arrasado impiedosamente seus recursos. Para completar a ruína, lá estava o Shylock prussiano com sua fatura relativa à manutenção de meio milhão de seus soldados em solo francês, sua reparação no valor de cinco bilhões e mais juros de 5% sobre as prestações não pagas. Quem iria pagar essa conta? Somente pela derrubada violenta da República os apropriadores da riqueza poderiam esperar lançar aos ombros de seus produtores o custo pela guerra que eles, os apropriadores, haviam iniciado. E assim a imensa ruína da França estimulava esses patrióticos representantes da terra e do capital, sob os olhos e patrocínio do invasor, a enxertar na guerra estrangeira uma guerra civil – uma rebelião dos escravocratas. No caminho dessa conspiração erguia-se um grande obstáculo – Paris. (...) A antítese direta do Império era a Comuna. O brado de “República Social” com que a Revolução de Fevereiro foi anunciada pelo proletariado de Paris não expressava senão a vaga aspiração de uma república que viesse não para suprimir a forma monárquica da dominação de classe, mas a dominação de classe ela mesma. A Comuna era a forma positiva dessa república.”

Sobre a coleção Marx-Engels

A Coleção Marx e Engels, da Boitempo Editorial, desenvolve um trabalho de recuperação da obra de Karl Marx e Friedrich Engels, sempre em traduções diretas dos originais, com a participação de especialistas nos fundadores do marxismo e um aparato editorial que faz de seus livros uma referência dentro e fora do país. Com 11 volumes publicados, a coleção teve início com a edição comemorativa dos 150 anos do Manifesto Comunista, em 1998. Em seguida foi publicado o livro A sagrada família (2003), obra polêmica que assinala o rompimento definitivo de Marx e Engels com a esquerda hegeliana. Os Manuscritos econômico-filosóficos (2004) vieram na sequência, ao qual se seguiram os lançamentos de Crítica da filosofia do direito de Hegel (2005); Sobre o suicídio (2006); A ideologia alemã (2007); A situação da classe trabalhadora na Inglaterra (2008); Sobre a questão judaica (2010); Lutas de classes na Alemanha (2010), O 18 de brumário de Luís Bonaparte (2011), e A guerra civil na França (2011), em comemoração aos 140 anos da Comuna de Paris.



PUBLICAÇÕES NA IMPRENSA:

05/05/2011 - Correio de Uberlândia - Sai no Brasil tradução inédita de Karl Marx - Da Redação.

 

08/05/2011 - Folha de S. Paulo - Ilustríssima - A guerra civil na França - Da Redação.

 

21/05/2011 - O Estado de S. Paulo - Sabático - Estante - A guerra civil na França - Da Redação.

 

25/05/2011 - Carta Capital - O escrito e o lido - Renato Pompeu

 

01/06/2011 - Revista Leituras da História - Quando os trabalhadores ousaram ir além... - Agnaldo dos Santos

 

01/06/2011 - Revista História Viva - Livros - Samuel Feldberg

 

01/08/2011 - Revista Cult - Marx ataca - Vladimir Safatle

 

15/08/2011 - Coleção Guias de Filosofia: Karl Marx - Marxteca - A guerra civil na França - Da Redação.

 

15/08/2011 - Coleção Guias da Filosofia: Karl Marx - Sob o "espírito"de Hegel - Emerson Sena da Silveira

 

10/11/2011 - Saraiva Conteúdo - Traduções de livros: até que ponto elas são fiéis ao estilo do autor? - Luma Pereira

 

14/11/2011 - Fundação Maurício Grabois - Marx e a Comuna de Paris - Augusto Buonicore

 

31/12/2011 - Estado de Minas - Poesia, ensaios e tradução de autores clássicos marcaram o ano literário no Brasil - João Paulo

 

08/01/2012 - Revista Sociologia - De Estado e Revolução para a Revolução contra o Estado - Vitor Sartori *

 

18/05/2012 - história e-história - A Guerra Civil na França - Fabio Antonio Costa

 

22/05/2013 - Portal Grabois - Marx, Engels e a Comuna de Paris - Augusto Buonicore

 

17/06/2013 - Blog da Boitempo - A Guerra Civil na França - Lincoln Secco

 

 

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05/03/2013 - Marx: a criação destruidora
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