Título: A visão em paralaxe
Título Original: The Paralaxe View
Autor(a): Slavoj Zizek
Tradutor(a): Beatriz Medina
Páginas: 512
Ano de publicação: 2008
ISBN: 978-85-7559-124-6
Preço: R$ 74,00
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Paralaxe – 1. deslocamento aparente de um objeto quando se muda o ponto de observação (Houaiss)

A visão em Paralaxe é o mais rico trabalho teórico do filósofo esloveno Slavoj Žižek, classificado pelo próprio autor como sua obra-prima. A partir da noção de paralaxe - um efeito de aparente deslocamento do objeto observado devido à modificação na posição do observador-, Žižek desenvolve três campos de reflexão que se articulam.

Na filosofia, Žižek faz um apanhado teórico de seus livros anteriores, relacionando conceitos de Lacan, Hegel e Marx. No campo da ciência, o esloveno enfatiza questões levantadas pela neurologia e as ciências cognitivas, além de aprofundar suas reflexões sobre a estrutura do sujeito a partir de seus estudos de psicanálise. E em relação à política, Žižek desenvolve a idéia de que o reconhecimento de antagonismos na ordem social constitui tarefa maior de nossos tempos.

Um dos objetivos do livro é empreender uma reabilitação do materialismo dialético. Žižek entende a crise do marxismo não só como resultado das derrotas sociopolíticas sofridas por seus movimentos, mas também pelo declínio do materialismo dialético como base filosófica. Nesse sentido, sua obra oferece um quadro amplo dos debates acadêmicos sobre os rumos de uma nova esquerda, dialogando com autores como Giorgio Agamben, Toni Negri, Michael Hardt, Ernesto Laclau, e não se furtando a abordar questões complexas como o anti-semitismo e o fundamentalismo.

Análises filosóficas são entremeadas por leituras detalhadas sobre literatura, cinema e música, não deixando de lado o talento de Žižek para a crítica da cultura. Produtos da cultura pop como Guerra nas estrelas, o filme infantil Procurando Nemo, entre outros, são observados por ângulos diversos – paralaxe – e relacionados aos mais complexos fenômenos de maneira no mínimo original.

A visão em paralaxe, terceiro livro de Slavoj Žižek publicado pela Boitempo Editorial, não só expande a aproximação Lacaniana-Hegeliana do filósofo para novos domínios, como também provê a sistemática exposição da estrutura conceitual que sustenta seu trabalho. Orelha de Christian Dunker.

Trechos de A visão em paralaxe
“A aposta deste livro é que, longe de constituir um obstáculo irredutível para a dialética, a noção de lacuna paraláctica é a chave que nos permite discernir seu núcleo subversivo. Teorizar adequadamente essa lacuna paraláctica é o primeiro passo necessário para a reabilitação da filosofia do materialismodialético. Aqui enfrentamos um paradoxo básico: enquanto muitas ciências de hoje praticam espontaneamente a dialética materialista, em termos filosóficos elas oscilam entre o materialismo mecânico e o obscurantismo idealista.”

“É essa lacuna paraláctica que também explica as duas dimensões irredutíveis da modernidade: a “política” é a lógica da dominação, do controle regulador (“biopolítica”, “mundo administrado”); a “econômica” é a lógica da integração incessante do excedente, da “desterritorialização” constante. A resistência à dominação política refere-se ao elemento “supranumerário”, que não pode ser explicado nos termos da ordem política; mas como formular a resistência à lógica econômica da reprodução-pelo-excesso? (Não podemos esquecer que esse excesso é estritamente correlato ao próprio excesso de poder além de sua função representativa “oficial”.) O sonho da esquerda durante todo o século XX era: por meio da subordinação do econômico ao político (o controle estatal do processo de produção). Em suas obras mais recentes, Hardt e Negri parecem sucumbir à tentação oposta, transferindo o foco para a luta econômica em que se pode confiar no Estado.”

“Há um belo detalhe hitchcockiano em Procurando Nemo: quando a filha monstruosa do dentista entra no consultório do pai, onde está o aquário, a música de fundo é a da cena do assassinato em Psicose. O vínculo é mais refinado do que a idéia de que a garota é o flagelo dos pequenos animais indefesos: no fim da cena, Nemo escapa quando é jogado pelo ralo da pia – essa é a sua passagem do mundo dos seres humanos para o seu próprio mundo-vida (ele acaba no mar, perto do consultório do dentista, e reencontra o pai), e todos sabemos da importância da cena do buraco por onde escorre a água em Psicose (a fusão da imagem da água escoando pelo ralo com o olho morto de Marion etc.). O ralo da pia, portanto, serve de passagem secreta entre dois universos totalmente disparatados, o dos homens e o dos peixes – esse é o verdadeiro multiculturalismo, o reconhecimento de que a única maneira de passar para o mundo do Outro é através do que, em nosso mundo, parece ser a saída da merda, o buraco que leva a um território obscuro, excluído da realidade cotidiana, onde o excremento desaparece. A disparidade radical dos dois mundos pode ser notada numa série de detalhes, por exemplo: quando o pai-dentista pega o pequeno Nemo com a rede e acha que o salvou de uma morte certa, sem perceber que aquilo que apavorou Nemo a ponto de quase matá-lo foi a sua presença... Entretanto, o que está em jogo na idéia de Verdade é que esse vínculo inominável e obsceno, esse canal secreto entre mundos não basta: há uma Verdade “universal” genuína que atravessa a miríade de mundos.”

Sobre Slavoj Žižek
Žižek nasceu em Liubliana, Eslovênia (na época parte da Iugoslávia). Estudou filosofia e sociologia na Universidade de Liubliana e psicanálise na Universidade de Paris VIII com Jacques-Alain Miller e François Regnault. Atualmente, é pesquisador sênior do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, professor do European Graduate School e diretor internacional do Instituto Birbeck de Humanidades, na Universidade de Londres. É conhecido por utilizar em seus estudos o trabalho do psicanalista francês Jacques Lacan para uma nova leitura da cultura popular. Entre seus temas de interesse estão a guerra do Iraque, fundamentalismo, capitalismo, tolerância, correção policial, globalização, subjetividade, direitos humanos, Lênin, mito, ciberespaço, pós-modernismo, multiculturalismo, pós-Marxismo, David Lynch e Alfred Hitchcock.


PUBLICAÇÕES NA IMPRENSA:

03/10/2008 - Site da Secretaria de Cultura da Bahia - Crítico cultural esloveno Slavoj Žižek realiza conferência em Salvador

 

09/10/2008 - PublishNews - Boitempo Editorial convida para as conferências

 

11/10/2008 - Prosa e Verso - Slavoj Zizek no Rio

 

12/10/2008 - Site iBahia - Slavoj Zizek realiza conferência neste domingo

 

14/10/2008 - O Globo - Paralaxe de Caetano

 

18/10/2008 - Carta Capital - Pensamento radical

 

19/10/2008 - CartaCapital - Poderes distribuídos - Antonio Luiz M. C. Costa

 

19/10/2008 - O Estado de S. Paulo - Capitalismo: com ou sem cafeína? - Laura Greenhalgh

 

01/11/2008 - revista Piauí - Zizek, o Moisés da dialética

 

01/11/2008 - O Globo - 'Os limites do sistema estão ficando claros' - Rachel Bertol

 

19/12/2008 - Guia de Livros da Folha - Choque de narrativas - Carlos Eduardo Ortolan

 

11/01/2009 - O Estado de S. Paulo - Invenção do terror que emancipa - Vladimir Safatle

 

21/01/2009 - A Tarde - BA - Filosofia atual estilo Chacrinha - Chico Castro Jr.

 

29/03/2009 - O Estado de S. Paulo - Aprender a ver com olhos livres - Ricardo Lísias

 

31/07/2009 - Revista Cult - Democracia corrompida - Slavoj Zizek

 

15/08/2011 - Coleção Guias de Filosofia: Karl Marx - Marxismo e Tempos modernos - Matheus Moura e Gustavo Henrique Ferreira

 

 

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05/03/2013 - Marx: a criação destruidora
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