A arte da entrevista reúne 48 entrevistas clássicas da história do jornalismo, feitas de 1823 a 2000, em uma antologia organizada pelo jornalista Fábio Altman, com desenhos de Cássio Loredano.
O livro apresenta 32 entrevistas estrangeiras, selecionadas a partir do The Penguin Book of Interviews – An Anthology from 1859 to the Present Day, de Christopher Silvester, jornalista inglês colaborador das revistas americanas GQ e Vanity Fair, e outros 16 depoimentos de personagens brasileiros - ou para brasileiros.
O volume traz, por exemplo, Karl Marx sendo entrevistado apenas dois meses depois da Comuna de Paris, e Freud discutindo o pessimismo em 1930. Drummond em uma entrevista feita no dia da morte de Pedro Nava e Hitler, em 1932, dizendo: “quando eu dominar a Alemanha...”. Ernest Hemingway comentando, a respeito de tubarões, que “com o 22 o tiro é na cabeça” e Norman Mailer falando sobre suas experiências com a maconha. Luís Carlos Prestes, um pouco antes do AI-5, dizendo, “O senhor sabe? Eu não conheço o meu último filho” e Leila Diniz dizendo para seis embevecidos entrevistadores do Pasquim: “Professorinha uma (*). Fui professora”. John Lennon, para a Rolling Stones em 1971: “Pessoas como eu têm consciência do seu, assim chamado, gênio aos 10, 8, 9 anos...”. E Lula, em 2000: “Banqueiro tem que ter medo do PT. Não é normal num país os bancos ganharem o que estão ganhando aqui”.
A seleção foi feita a partir de quatro critérios: impacto imediato na realidade, como a de Getúlio Vargas para Samuel Wainer, em 1949, que marca o retorno do ex-ditador para a vida política, ou a de Pedro Collor, que detonou o processo de impeachment do irmão; entrevistas que retrataram uma época, como a de John Kennedy em 1960 ou João Figueiredo em 1978; as entrevistas corajosas, que rompiam silêncios, como a de dom Hélder Câmara, em 1969, no momento mais duro da ditadura militar; e entrevistas que fazem referências à própria natureza desta que é a ferramenta fundamental do jornalismo, como a de José Bonifácio, de 1923, a de Rudyard Kypling (insultando o entrevistador e considerando o ato de pedir entrevista uma coisa “imoral”) e a de Tim Berners-Lee, o pai da internet, numa entrevista on line.
A arte da entrevista é uma nova edição, atualizada e reformulada, do livro de mesmo título publicado pela editora Scritta em 1995, com algumas diferenças fundamentais. A seleção sofreu cortes e acréscimos e, principalmente, ganhou os comentários – em forma de desenhos – de Cássio Loredano, sem dúvida um dos maiores desenhistas brasileiros de todos os tempos.
Sobre os autores
Fábio Altman nasceu em São Paulo, em 1964. É jornalista desde 1985. Começou a carreira na revista Veja. Foi repórter, editor e correspondente internacional em Paris. Acompanhou a Guerra do Golfo, o desmanche da União Soviética, a guerra civil na antiga Iugoslávia e a degradação política na Argélia. Esteve em duas Olimpíadas (1992 e 2000) e duas Copas do Mundo (1990 e 1994). Foi editor regional da TV Globo no Rio de Janeiro, editor da revista Info e editor-executivo de Época. Atualmente é um dos editores da IstoÉ Dinheiro.
Cássio Loredano nasceu em 1948, no Rio de Janeiro. Nas palavras de Millôr Fernandes, “filho de um oficial de cavalaria, Loredano desde cedo se sentiu obrigado a desmontar o ser humano”. De 1949 a 1971 viveu entre Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. Trabalhou nos jornais Pasquim, Opinião, O Globo e Jornal do Brasil. Morou na Alemanha, França, Itália e Espanha, colaborando para periódicos como Frankfurter Allgemeine, Die Zeite, La Repubblica, Il Globo, Libération, Magazine Littéraire e El País. Publicou Nássara desenhista (1985), Guevara e Figueroa: caricatura no Brasil nos anos 20 (1986), Luís Trimano: desenhos, 1968-1990 (1993), Loredano caricaturas: mancha, traço, página (1994), O Rio de J. Carlos (1998), Carnaval J. Carlos (1999) e Alfabeto literário (2002). É desenhista de O Estado de S. Paulo e colabora regularmente para outros órgãos da imprensa nacional e estrangeira.